quinta-feira, 29 de março de 2007

O mandato da elite decepcionou o Povo

Em um cerco policial, o assaltante Ednaldo Evangelista da Cunha, o Mel, foi morto ontem com três tiros, em Canindé. A Polícia disse que ele reagiu à prisão. Centenas de pessoas foram até o hospital da cidade, em uma tentativa de ver o corpo. Mel era o homem mais procurado no Estado pela Polícia
Acabou na noite de ontem a trajetória do assaltante e latrocida Ednaldo Evangelista da Cunha, o Mel, 22 anos, após um tiroteio com policiais militares.
O homem mais procurado do Estado foi morto com três tiros na localidade de Sousa, no município de Canindé, a 113 quilômetros de Fortaleza. Segundo a Polícia, Mel reagiu à voz de prisão fazendo uso de uma pistola, que teria sido tomada de assalto de um policial federal. Tão logo a notícia se espalhou, centenas de pessoas tentaram invadir o hospital da cidade, para ver o corpo. A Polícia teve que ser acionada para conter o tumulto.
No fim da noite, o corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML), em Sobral, para ser necropsiado. De acordo com a Polícia, o assaltante foi cercado nas proximidades da casa de seus pais, onde estava refugiado desde o último confronto com policiais, no dia 19 passado, em Itapiúna, na Região Metropolitana, quando o comparsa Zaquel Rodrigues de Sousa, o Kel, foi preso. De acordo ainda com a Polícia, Mel tentou furar mais um cerco policial, ao fazer uso de uma pistola. Atingido pelos tiros, o assaltante caiu morto praticamente no quintal da casa de seus pais. Mel era acusado de vários homicídios, a maioria no Siqueira e em Maracanaú, além de assaltos, formação de quadrilha e extorsão mediante seqüestro.
Ele ficou conhecido como "matador de policiais", após ser indiciado por assassinatos de pelo menos quatro PMs. Segundo populares, os crimes de Mel foram intensificados depois da morte de seu irmão, em uma troca de tiros com policiais. Mas de acordo com o delegado Edval Amorim, o único policial que prendeu o assaltante, por duas vezes, os delitos tiveram início quando ele ainda era adolescente. Mesmo como o homem mais procurado do Estado, Mel continuava agindo em Fortaleza, Maracanaú, Canindé, Horizonte e Itapiúna, em ações marcadas por violência. A Polícia aponta Mel como o autor de quase 13 homicídios, entre civis e militares. Mel teria furado mais de 15 cercos policiais, quando trocou tiros, se escondeu em fossas, pintou os cabelos e até teria se vestido de mulher.
A trajetória de quase um ano de intensas ações começou enfim a ser reprimida nos últimos dois meses, quando das prisões e mortes de alguns membros de seu bando. Segundo a Polícia, a quadrilha de Mel passou a ser atacada por outros grupos criminosos que agiam nas mesmas áreas. O irmão de Zaquel Rodrigues teria sido assassinado por integrantes de um grupo rival, no início do ano, como um aviso a Mel. Na época, a quadrilha chegou a negociar com a Polícia uma rendição. Mas a tentativa acabou em acusações mútuas. A quadrilha não assumiu alguns dos crimes a ela atribuída.
A maior baixa do grupo ocorreu até então no último dia 13, quando morreu Francisco Morais da Silva, o Chico da Nadir, 25, em Horizonte. Ele era tido como um dos maiores amigos de Mel e seria o homem de confiança da quadrilha em Canindé e Horizonte. A Polícia deverá se pronunciar sobre o caso, hoje, em coletiva à imprensa, em local ainda a ser definido. (Colaborou Rosa Sá)

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